População mundial, segundo dados da ONU

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

População x agricultura

O mundo está com sete bilhões de habitantes, segundo a ONU. Na agricultura é preocupante a falta de água, considerado o maior entrave para abastecimento. O futuro diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, disse que a necessidade de aumentar a produção agrícola para alimentar a crescente população mundial pressionará a busca por recursos naturais, principalmente pela água.  Revela que em algumas áreas como a região andina, na América do Sul, e os países da África Subsaariana, a preocupação é maior. Mesmo assim, segundo Graziano, é possível pôr fim à fome no mundo por meio de quatro ações principais: a aplicação de tecnologias modernas na lavoura (muitas já disponíveis), a criação de uma rede de proteção social para populações mais vulneráveis, a recuperação de produtos locais e mudanças nos padrões de consumo em países ricos.

PECUÁRIA A agropecuária respondeu por 5,8% do PIB do país em 2010. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos, que subiu 7,5% em relação a 2009. Em valores, o PIB do setor somou R$ 180,8 bilhões, um crescimento de 6,5% sobre o volume de recursos movimentado em 2009. Outra constatação é que a participação da atividade no PIB, embora proporcionalmente menor do que a da indústria (26,8%) e dos serviços (67,4%), mantém a importância em termos de geração de emprego, renda e ocupação do território nacional.

Qualidade dos produtos

  Um projeto apresentado pelo deputado estadual Agnelo Alves estabelece obrigatoriedade de exames em produtos comercializados pela Ceasa. O projeto quer  estimular uma mudança de comportamento dos produtores para o uso seguro de agrotóxicos. A proposta dispõe sobre a obrigatoriedade de exame, para constatação de resíduos químicos, nos produtos. Um processo mais rígido de fiscalização dos produtos que chegam às mesas dos consumidores. Por outro lado, a Ceasa decidiu implantar  um programa de rastreamento de  produtores e fornecedores e monitoramento de qualidade de  produtos hortifrutigranjeiros comercializados na sua estrutura.

CANA A moagem de cana no Centro Sul chegará a 490,3 milhões  de toneladas na safra, segundo a consultoria Datagro, ao revisar para baixo sua estimativa para safra 2011/2012. A região Centro-Sul responde por 89% da cana processada no país. Segundo a empresa, a moagem será de 490,380 milhões de toneladas de cana ante a previsão de setembro de 498,570 milhões de toneladas.

1 De acordo com levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, a produção brasileira de milho da safra de 2010/2011 deverá ficar em torno de 57,5 milhões de toneladas. Na região Nordeste,o estado da Paraíba deverá colher 147,6 mil toneladas de milho durante a safra deste ano, prevê a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural - Emater.

2 Os números finais da safra agrícola nordestina de 2011 já estão disponíveis. A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas do Nordeste foi de 15.997,9 milhões de toneladas,  representando 33,6% de incremento, em relação à safra do ano anterior (11.973,5 mil toneladas). A Bahia é o maior produtor com 7.340,8 milhões toneladas. Em seguida vêm o  Maranhão (3.308,5 mil toneladas).

3 A safra potiguar foi de 108,2 mil toneladas. Com essa produção  o Rio Grande do Norte ocupa o 8º lugar dentre os demais estados nordestinos, ganhando apenas para o estado de Alagoas (100,8 mil toneladas). É muito pouco para um estado com grande potencial agrícola, com vales úmidos e regiões com capacidade de expandir a produção de grãos e oleaginosas.

BIODIESEL O Brasil vai terminar 2011 como o maior mercado consumidor de biodiesel do mundo, passando a Alemanha. Segundo projeções da Aprobio (Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil), o país vai produzir e consumir 2,8 bilhões de litros do combustível, 17% a mais do que no ano passado. No país europeu, o consumo deve passar de 2,4 bilhões de litros para 2,6 bilhões de litros.
Fonte: Tribuna do Norte

Nota pública sobre a ocupação do canteiro de obras de Belo Monte

O canteiro da Usina Hidrelétrica de Belo Monte foi ocupado no início da manhã desta quinta-feira por cerca de 400 indígenas, pescadores, ribeirinhos e agricultores contrários à construção da obra devido aos graves impactos ambientais e violações de direitos humanos que marcam o processo de licenciamento do empreendimento. A decisão de ocupar o canteiro de obras foi aprovada coletivamente, em assembleia, por 700 representantes de comunidades locais que participaram de um seminário contra Belo Monte realizado esta semana na cidade de Altamira, no Pará.
Os manifestantes notificaram, através de carta e contato pessoal, representantes do Palácio do Planalto e outras autoridades do governo federal sobre a ocupação da usina. Segundo o documento enviado, “diante da intransigência do governo em dialogar e da insistência em nos desrespeitar, ocupamos o canteiro de obras de Belo Monte e trancamos seu acesso pela rodovia Transamazônica. Exigimos que o governo envie para cá um representante com mandado para assinar um termo de paralisação e desistência definitiva da construção de Belo Monte”.
Após 15 horas, o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte foi desocupado com a chegada de dois oficiais de Justiça e três advogados do consórcio Norte Energia, acompanhados de um destacamento da Policia Militar, munidos de um interdito proibitório ajuizado pela empresa. Após informar os manifestantes sobre a ordem judicial, que tinha poderes de reintegração de posse, os oficiais de Justiça destacaram que a Tropa de Choque estava nos arredores, pronta para agir. É vergonhoso que a mesma Justiça, que tem se mostrado cada vez mais morosa e suscetível a pressões políticas no julgamento das 12 Ações Civis Públicas movidas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra as ilegalidades e violações de direitos humanos no processo de licenciamento ambiental de Belo Monte, tenha expedido o interditoproibitório favorável à empresa em apenas algumas horas.
A ação inédita de ocupação do canteiro de obras de Belo Monte partiu de uma decisão soberana e autônoma de pescadores e indígenas da Bacia do Xingu, e foi considerada por estes o marco de uma nova aliança na luta contra a hidrelétrica. O reconhecimento mútuo e o acordo firmado esta semana entre os segmentos que mais sofrerão com a destruição do Xingu foi visto como uma nova etapa, mais forte e ampla, da luta contra Belo Monte. A parceria entre indígenas e pescadores, inédita, mostrou que os povos do Xingu estão unidos em defesa do rio, da natureza e do seu modo de vida tradicional.
A nossa resistência contra este projeto de destruição chamado Belo Monte permanece inabalável. A ocupação foi um recado claro para o governo Dilma Rousseff de que a luta pela proteção do Xingu está mais viva do que nunca. Se o governo federal insistir em continuar violando os nossos direitos, dos povos indígenas e comunidades tradicionais, outras ações de resistência virão.
Altamira (PA), 28 de outubro de 2011.
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Movimento Xingu Vivo para Sempre – MXVPS
Fonte: Ponto de Pauta

Ocupado canteiro de obras da usina de Belo Monte

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Foto: CIMI
Renato Santana
De Brasília

O canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na região de Altamira (PA), está ocupado por mais de 600 indígenas, pescadores, ribeirinhos e populações ameaçadas pelos impactos sociais e ambientais do grande empreendimento. A ocupação começou na madrugada desta quinta-feira (27). A Rodovia Transamazônica (BR-230), a partir do trecho em frente ao canteiro, na altura da Vila de Santo Antônio, região de Altamira, está interditada e só passam veículos transportando doentes. 

O que motivou a ocupação do canteiro, além da negativa do governo federal em ouvir os povos indígenas, foi o adiamento do julgamento de Ação Civil Pública ontem (26), no Tribunal Federal da 1ª Região, em Brasília, sobre a realização de oitivas indígenas quando da construção de empreendimentos em suas terras ou que lhes impactem direta ou indiretamente.

Em assembleia realizada na manhã desta quinta-feira, o movimento que luta contra Belo Monte definiu como principal reivindicação que o governo federal envie autoridades para negociar com as populações tradicionais o fim das obras de Belo Monte.

"Diante da intransigência do governo em dialogar e da insistência em nos desrespeitar, ocupamos a partir de agora o canteiro de obras de Belo Monte e trancamos seu acesso pela rodovia Transamazônica. Exigimos que o governo envie para cá um representante com mandado para assinar um termo de paralisação e desistência definitiva da construção de Belo Monte", diz a declaração dos Povos do Xingu contra Belo Monte, resultado do seminário realizado em Altamira esta semana.

Outra decisão tomada pelos ocupantes é que o acampamento no canteiro de obras será permanente e desde já convocam outras entidades e movimentos a cerrarem fileiras nessa luta que, conforme os manifestantes, não irá parar.

Todo o processo de ocupação ocorreu de forma pacífica e é fruto das discussões entre os povos tradicionais durante o seminário “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”.

Com o encontro, se pretendia analisar a conjuntura em torno de Belo Monte e discutir respostas às situações de risco e impactos geradas pela usina. As mesas de debate foram suspensas em vista da ação de ocupação do canteiro de obras.

São 21 povos indígenas envolvidos na mobilização. “Para mim, as pessoas que estão querendo fazer essas usinas, são uma doença. São um câncer que vai matar o planeta. Nós somos o remédio para essa doença!”, disse Davi Gavião que segue: “Sou filho de quem foi impactado por uma usina. Faz 35 anos que nosso povo foi retirado da sua área e até agora estamos lutando por uma indenização. Faz 35 anos! Essa Belo Monte vai trazer muitos impactos também. Temos que lutar contra todas as barragens! (sic)”.

Entre os pescadores, Raimundo Braga Nunes: “Tenho certeza que depois de Belo Monte vou ser obrigado a mudar de trabalho, porque peixe não vai ter. Vai morrer, ou vai migrar. Eu não me calo, estou pronto para brigar, preparado. Convido nossos amigos indígenas para somar forças para proteger nosso rio. O Xingu é nosso pai e mãe”.

"Belo Monte só vai sair se cruzarmos os braços. Não podemos ficar calados. Temos que berrar e é agora", disse Juma Xipaia, liderança indígena Xipaia, uma das etnias afetadas por Belo Monte. "Somos guerreiros e não vamos pedir nada ao governo, mas exigir o que a Constituição nos garante. Nossos antepassados lutaram para que nós estivéssemos aqui. Já foram feitos vários documentos, várias reuniões e nada mudou. As máquinas continuam chegando".

Decisão adiada

Nesta quarta-feira (26), as populações impactadas viram o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Fagundes de Deus votar contra a Ação Civil Pública que pede a paralisação das obras de Belo Monte. Conhecedor do setor energético, o desembargador se posicionou tendo como base a experiência adquirida na área, pois já advogou para a empresa Eletronorte. 

Impetrada pelo Ministério Público Federal (MPF), a ação é um recurso de apelação onde se pede o cancelamento do licenciamento ambiental e a inconstitucionalidade do Decreto 788/2005 do Congresso Nacional – que libera a obra sem a realização da consulta de boa fé aos povos indígenas do Xingu e populações tradicionais, tal como diz a Constituição Federal e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A desembargadora Maria do Carmo Cardoso, terceira a votar a matéria durante a sessão desta quarta-feira do TRF-1, em Brasília (DF), pediu vistas da Ação Civil Pública e interrompeu o julgamento – programado para entrar em pauta no dia 9 de novembro. 

Dessa forma, a ocupação é também uma resposta a postura da Justiça que apesar de todas as irregularidades, 11 ações denunciando ilegalidades no processo de Belo Monte em tramitação, além de pareceres contrários à obra trabalhados por um painel de especialistas e MPF, não interrompe as obras. Sobretudo, não reconhece a e leva em conta a opinião das comunidades que agora ocupam o canteiro.

Primeiro voto: a favor da ação

O primeiro voto dos desembargadores do TRF-1, no último dia 17, declarou inválidas a autorização e licença ambiental para Belo Monte. 

“É de nenhuma eficácia a autorização emitida pelo parlamento”. Com essas palavras a desembargadora Federal Selene Maria de Almeida desqualificou o
Decreto Legislativo nº 788/2005 do Congresso Nacional que autorizou a construção da usina de Belo Monte. Ela considerou igualmente inválido o licenciamento ambiental de Belo Monte.

Num voto elaborado e denso, a desembargadora acatou a maioria dos pontos apresentados pelo MPF/PA, sendo o argumento mais importante o fato de as comunidades indígenas afetadas pela usina de Belo Monte não terem sido consultadas a respeito, conforme mandam a Constituição Federal e tratados internacionais, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 2004 (Decreto nº 5.051/2004).

Ela não deixou dúvidas sobre a necessidade das oitivas: “A Constituinte prescreve que sejam ouvidas as comunidades indígenas afetadas. Para protegê-las”. Em seu voto, Selene reafirmou o posicionamento já adotado pelo TRF-1 quando da primeira avaliação da matéria, em 2006.

Mais informações:Dion Monteiro, Comitê Metropolitano Xingu Vivo: (91) 9103.4340
Éden Magalhães, CIMI: (61) 9979.6916
Antonia Melo, Xingu Vivo: (93) 9135.1505

Fonte: Site do CIMI

Caravana Antinuclear visita o Sertão

CARAVANA ANTINUCLEAR parte para o Sertão

No período de 28 a 31 de outubro a Caravana Antinuclear estará percorrendo os municípios pernambucanos de Belém do São Francisco, Floresta, Itacuruba e Jatobá. O objetivo é levar para estas cidades sertanejas informações sobre os impactos que ocorrerão com a instalação de uma usina nuclear em Itacuruba. O ônibus conduzindo seus integrantes sairá da frente da Reitoria da UFPE, às 17 horas desta quinta-feira, dia 27. Nele vão embarcar integrantes do MESPE - Movimento Ecossocialista de Pernambuco, do Greenpeace e da Articulação Anti Nuclear Brasileira, acompanhados de professores universitários, jornalistas, artistas e ambientalistas daqui e de outras partes do país, que vieram apoiar essa mobilização.

A Caravana terá atividades integradas como exposições, debates, feira de ciências, apresentação de teatro, cantadores e poetas populares, para ajudar a população a compreender os riscos de uma usina nuclear na região, assim como as possibilidades de gerar energia elétrica a partir do sol, dos ventos, de outras fontes renováveis de energia que não destroem a natureza e nem causam danos às pessoas. “A Caravana Antinuclear espera alertar as populações para os riscos da instalação dessa usina. O governo decidiu e planeja instalar a usina nuclear, mas não faz um diálogo com o povo da região para que ele fique ciente dos riscos, principalmente à saúde e ao meio ambiente. A Caravana vem para cumprir esse papel, para isso organizações locais ajudam a mobilizar o maior número de pessoas”, afirma o coordenador da Caravana, físico e professor Heitor Scalambrini Costa.

A primeira parada será nesta sexta-feira, em Belém do São Francisco, no sábado a Caravana aporta em Floresta, no domingo em Itacuruba, local onde está prevista a instalação da usina. A última cidade a receber os manifestantes antinucleares será Jatobá, com a programação prevista para segunda-feira. Todas as atividades da Caravana serão gratuitas. Associações, sindicatos, igrejas, escolas e várias outras organizações sociais da região estão se mobilizando para participar do evento, que tem como um dos organizadores o Movimento Cultura de Paz da Diocese de Floresta.

Contato: Heitor Scalambrini Costa – 9964.4366
Jornalista/Assessor de Imprensa: Gerson Flávio – 8649.8759 ou 7812.0080

Carta expressa o pensamento da CPT no Brasil

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Carta de Hidrolândia

Encontro Nacional de Formação e Conselho Nacional da CPT

“Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21,5)

A Comissão Pastoral da Terra, reunida nos dias 17 a 20 de outubro de 2011, com a presença de 52 agentes de todo o Brasil, em seu tradicional Encontro Nacional de Formação, em Hidrolândia-GO, desta vez com o tema “Ecologismo dos pobres e Ecofeminismo”, e em Conselho Nacional, a seguir nos dias 21 e 22, em Goiânia-GO, compartilha a experiência e os sentimentos que significaram estes dias intensos.
Analisamos a conjuntura nacional e global, a partir do campo nas regiões em que exercemos o nosso serviço pastoral. Questionamo-nos sobre os desafios que deveriam ser incorporados na única e irrenunciável bandeira do campesinato e dos povos do campo: a luta pela terra e pelos territórios, contra o latifúndio e a propriedade absoluta da terra, secular entrave para a construção de uma nação justa e igualitária. 
Um discernimento renovado nos interpelou a assumirmos a ecologia, a partir das práticas e das resistências dos pobres, das mulheres e dos povos, desmistificando o falso mito da sustentabilidade e desmascarando a dominação patriarcal, desde sempre aliada ao “progresso” capitalista e à “ordem” do Estado. Uma dominação traduzida cotidianamente no machismo enraizado em nossas relações humanas, interpessoais e sociais, a oprimir a mulher, até com violências, e a desfigurar nossa humanidade.
Acolhemos a mensagem que Dom Pedro Casaldáliga – nosso Pedro do Araguaia - enviou aos missionários e missionárias do CIMI – Conselho Indigenista Missionário, reunidos em Assembléia Nacional, neste mês de outubro. O profundo silêncio em que ressoaram suas palavras expressou a convicção unânime que sua palavra profética é um apelo urgente e inadiável também para nós da CPT.

“Devemos abrir os olhos, abrir o coração e assumir a hora.”
(Pedro Casaldáliga)

A hora é o tempo extremo e desafiador deste hoje em que o avanço dos empreendimentos do capital, num processo impressionante de reprimarização da economia brasileira, ameaça como nunca antes as pessoas, as comunidades e o meio ambiente: a grilagem ocultada ou legalizada da terra, as transposições de águas, o aumento exponencial das mineradoras em todo território nacional, a expansão dos monocultivos e da pecuária, a destruição  ilegal ou legalizada das florestas, do cerrado e da caatinga, os transgênicos e os agrotóxicos, e a insistência insana em priorizar matrizes energéticas que destroem o ambiente e o clima. 
O Estado, através do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tornou-se o articulador e o financiador do capital nacional e transnacional. Refém da ideologia do crescimentismo, alimenta fartamente grandes obras, infenso às denúncias de superfaturamento e graves impactos sócio-ambientais. Submeteu a política à economia e esta é reduzida às oportunidades momentâneas do mercado global. A imposição da hidrelétrica de Belo Monte, de interesse exclusivo de algumas corporações empresariais, ao revés do bem social e ambiental e da vontade popular, é só o exemplo recente mais gritante. Os governos, de quaisquer siglas e coalizões partidárias, reiteram o processo iníquo do controle desagregador das iniciativas camponesas, da criminalização de seus movimentos e lideranças, da perpetuação da impunidade, da defesa do latifúndio, sacramentados pela última e decisiva palavra de um Poder Judiciário corporativista, aliado blindado das elites oligárquicas e dos interesses capitalistas.

“Não deixar cair a profecia... Sejamos conscientes. Sejamos críticos e autocríticos.”
(PedroCasaldáliga)

Têm sido tomados de assalto terra e territórios, espaços vitais para as comunidades camponesas se organizarem e se reproduzirem com seu modo próprio de vida, seus.valores humanos, econômicos, sociais, culturais e religiosos. Órgãos como MDA, INCRA, IBAMA e congêneres, operadores das políticas para o campo, cumprem papel cada vez mais marginal em relação ao eixo central da política agrário-agrícola devotada à expansão do agronegócio de exportação. A este também se submetem as alterações no Código Florestal e todo o aparato legal dedicado ao meio-ambiente, sob a falaciosa fachada de benefício aos agricultores familiares, “desenvolvimento sustentável”, “capitalismo verde”...
O Estado, por omissão ou conivência, tem exposto a sociedade brasileira a uma situação já de barbárie, de que são evidências os assassinatos impunes no campo e a mortandade na cidade, em especial de jovens e negros. A grilagem sistemática e aceita pelo Estado tem tornado a terra sonho de poucos e colocado o valor da propriedade concentrada acima da vida humana e do meio-ambiente. Alegados avanços democráticos dos últimos anos não acrescentaram nada à solução deste nó estrutural da sociedade brasileira, antes o reforçou, já que a política tem sido de anti-reforma agrária.
O crescimentismo econômico, potencializado pela crise global tornada oportunidade de expansão do negócio de bens primários, ainda que potencialize também a inclusão social pelo aumento da renda e do consumo, não se apresenta como uma estratégia soberana de longo prazo. A necessidade de multiplicação e aumento das políticas sociais compensatórias, ao lado da perpetuação das políticas de favorecimento dos ricos, sinaliza que o sistema de expropriação e exclusão estruturais se aprofunda, não é solução e não tem futuro.

“Pode falhar tudo, menos a esperança.”
(Pedro Casaldáliga)

            Se de um lado aumenta a violência do latifúndio, do agronegócio e do Estado, do outro persiste a resistência e há lutas organizadas e articuladas de camponeses, indígenas, quilombolas, extrativistas e outros, que enfrentam o sistema e reivindicam terra e territórios. Aprendem, na luta, que não se confia neste Estado e que a Constituição e regulamentações, no que lhes beneficiam, são no mais das vezes letra morta. Aprendem que não será este Estado que dará as respostas aos desafios maiores postos pelos povos do campo e pela sociedade toda. Os camponeses conseguem organizar assentamentos, implementam novas formas de relação com a terra e nos processos produtivos, reafirmam e reinventam caminhos coletivos e solidários de viver e não abandonam o projeto da democratização da terra, através de uma reforma agrária digna deste nome.
            Esse enfrentamento incessante no campo convoca a CPT a renovar o seu compromisso de contribuir com a formação, a articulação, a mobilização e a renovação das organizações populares do campo, para que também os camponeses e as camponesas sejam protagonistas das transformações necessárias da sociedade brasileira e mundial.
A hora exige mudanças radicais do nosso jeito de ser, de viver e de estruturar a vida. Uma nova maneira de organizar a “casa e o mundo” (em grego, óikos): a reprodução material da vida (economia), o trato com a natureza (ecologia) e as relações sociais (ecumenismo). No Brasil e no mundo, trasbordam as ruas do povo indignado e desejoso de democracia real. Seu grito evidencia a derrocada da estatocracia, serviçal do capital, falsa democracia.
A nós da CPT, a hora exige uma espiritualidade centrada no seguimento radical de Jesus,  que o nosso testemunho a serviço do Reino de Deus incorpore o grito das ruas e dos campos e construa relações novas entre mulheres e homens e com a Criação. Somos chamados a desconstruir a teia hierárquica que coisifica e inferioriza a natureza, as mulheres, os pobres, os negros, os indígenas, as minorias e os camponeses.
A aliança dos povos da terra nos impulsiona para a perspectiva de um ecumenismo novo e extenso (macroecumenismo), em que a Bíblia, lida e vivida a partir dos pobres e do conflito, dialoga com as teologias afro-descendentes e dos povos originários de nossa América.
Será uma dura luta para superar também o patriarcalismo que domina as relações humanas na família, na sociedade, no Estado e nas Igrejas. Mas é um caminho necessário, possível e urgente. Como foi o de Francisco e Clara de Assis e, em nossos dias, o de Pedro do Araguaia. Desde sua consagração como bispo, 40 anos atrás, ele nos prova que é possível converter-se a uma Igreja-Comunhão, que não pactua com “as forças do latifúndio e da marginalização social”, como proclamava sua primeira carta pastoral em outubro de 1971.
Assim seja para a CPT também!

Goiânia 22 de outubro de 2011
O Conselho Nacional da Comissão Pastoral da Terra

José Comblin, por Eduardo Hoornaert

terça-feira, 25 de outubro de 2011

LER JOSÉ COMBLIN (1923-2011)

1.Hoje, um sentimento de urgência toma conta de nós. Percebemos que nunca na história um grupo tão minúsculo de pessoas comandou, por meio da grande mídia, a vida da quase totalidade da população mundial. Desse modo universaliza um tipo de ditadura que a maioria das pessoas não percebe. A TV instalou-se na vida das pessoas e gerou um tipo de pensamento confuso. Não se revelam os labirintos do poder. Os noticiários são sistematicamente mentirosos (acerca de Kadaf, Saddam Hussein, etc.) enquanto mantêm silêncio acerca do que é realmente importante (as ‘primaveras’ que se espalham pelo mundo).
Hoje,ter um mestre como Comblin é um privilegio. Pois é raro encontrar pessoas que superam a condição de ‘inteligência confusa’ e dizem as coisas com uma clareza meridional. Os livros desse mestre constituem um tesouro a ser explorado. Quando as coisas mudam com rapidez (como agora), necessitamos urgentemente de pensadores a nos indicar caminhos possíveis, no exato momento em que vivemos. Nosso mestre faleceu antes de tomar conhecimento das primaveras que se iniciaram em janeiro 2011 na Tunísia. Como ele teria comentado isso (como comentou o bolivarianismo)?
2.O que ler de José Comblin? Recomendo ler principalmente acerca de três temáticas, mas sei que com isso nem de longe estou esgotando a riqueza da produção intelectual do mestre. Eis os 3 temas: ‘espírito santo’, ‘povo de Deus’,’método pedagógico’. O mais importante é o tema ‘espírito santo’, que será abordado amanhã. Só quero lembrar aqui que a ‘obra grande’ (opus magnum) de Comblin comporta 5 livros escritos ao longo de 25 anos (entre 1982 e 2007):Tempo de ação (1982); A força da palavra (1986); Vocação para a liberdade (1999); O povo de Deus (2002), A vida em busca da liberdade (2007). Os três últimos talvez sejam os mais interessantes para as novas gerações (Paulus, SP).O miolo do pensamento de José Comblin está aí.
3.O que quero aprofundar mesmo hoje são os dois temas restantes. Primeiramente o do povo de Deus. Aos 35 anos, Comblin percebe que o povo de Deus (da paróquia de Bruxelas) não é mais o povo de Deus.‘Aqui não tem mais o que fazer’ (o cristianismo engolido pela burocracia corporativa do clero). Ele parte para o Brasil em busca do povo de Deus. E o encontra. O Brasil o fascina e transforma. Ele é como Paulo fariseu que abandona Israel, mas permanece fariseu. O padre José abandona a igreja, mas permanece padre. Ele enxerga a igreja além da igreja, fica alegre com o ‘subsistit’ de Lúmen Gentium (Vaticano II) e mais ainda com o ‘pacto das catacumbas’ no final doconcílio (1965). Quando Dom Helder lhe pede um texto para Medellín 1968, ele‘manda brasa’ (tenho comigo um exemplar original da ‘wikileaks’ desse texto para a grande imprensa). Esse texto vai além do cristianismo, além da religião, alcança diretamente os grandes problemas que afligem a humanidade. É baseado numa das leis fundamentais do povo de Deus, a desobediência. As leis foram criadas para que os pobres fiquem calados. Aplicando as leis não se consegue nada. É preciso infringir as leis.
4.Penso que, mais importante que Comblin teólogo (conselheiro de bispos), é Comblin pedagogo. A teologia da enxada é um método pedagógico que excede de longe as experiências concretas de Salgado de São Félix e Tacaimbó. É o método Paulo Freire aplicado à formação de agentes de pastoral. Comblin figura ao lado de Paulo Freire e de Ivan Illich como expressão de uma pedagogia nova que nasce na AL na década de 1960. A ideia de partir de temas geradores é revolucionária. Existe, mais profundamente ainda, uma conexão entre o ‘método Comblin’ e o famoso método Cardijn (ver, julgar, agir). Partirde temas geradores é o mesmo que partir do ‘ver’ para depois ‘julgar’ (conferir com bíblia) e ‘agir’. Nesse método está o valor permanente de Medellín 1968. Se compreendemos o método, descobrimos facilmente as adulterações (como Aparecida 2007: como dizer que a igreja é missionária se ela, na realidade, se articula por meio das paróquias e dos sacramentos?). Pois o método pedagógico da teologia da enxada está baseado no ‘amor desordenado’. Por amor, Deus renuncia ao seu poder e decide criar o homem livre, o que acarreta necessariamente o pecado (o abuso da liberdade). Em outras palavras, Deus ‘cria’ a possibilidadedo pecado quando ele decide criar o homem livre. Daí o desfecho incerto da história humana e a luta que ‘sempre continua’. A história pode dar certo ou resultar em catástrofe. Pois o amor não fundamenta a ordem, mas a desordem. O amor quebra toda a estrutura da ordem. O amor fundamenta a liberdade e, por conseguinte, a desordem.


EduardoHoornaert, João Pessoa, 26/10/2011.

Mais um defensor do Meio Ambiente assassinado

Denunciamos o assassinato covarde de mais um defensor da natureza na Amazônia
Sábado foi assassinado o líder comunitário João Chupel Primo em Miritutuba, município de Itaituba, PA. Conheci o João foi em sua comunidade que realizei as primeiras crismas como bispo de Itaituba.

Eu o tinha encarregado de fundar uma nova comunidade. Justamente no dia da crisma em junho deste ano, ele deixou de ser o coordenador da Comunidade Nossa Senhora de Nazaré de Miritituba para poder se dedicar à fundação da nova comunidade.

Ele vinha fazendo denúncias sobre grilos de terras e extração ilegal de madeira (veja a nota). Por isso foi assassinado brutalmente com um tiro na testa sábado passado.

Quando os defensores da natureza e da legalidade vão deixar de serem mortos? Quando o Governo Federal colocará pra valer a Polícia Federal para agir no Pará?

Fraternalmente

Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.
Bispo da Prelazia de Itaituba, Pará - Brasil

Coordenador da Comunidade de Miritituba/ Itaituba - PA é assassinado

Sábado, dia 22 por volta das 14 horas, foi assassinado com um tiro na cabeça João Chupel Primo, com 55 anos. Ele trabalhava numa oficina mecânica onde o crime ocorreu, ao lado de seu escritório.
João denunciava a grilagem de terras e extração ilegal de madeira, feitas por um consorcio criminoso. Ele tem vários Boletins de ocorrências de ameaças de morte na Policia local. E fez várias denuncias ao ICMBIO e a Policia Federal, que iniciaram uma operação na região.
A madeira é retirada da Flona Trairão, e da Reserva do Riozinho do Anfrizio. Onde as portas de entrada para essa região, que faz parte do mosaico da Terra do Meio, se dá pela BR 163 Vicinal do Brabo cortada até o Areia; entrando pelo Areia (Trairão) cortada até Uruará. Pela BR 230: vicinal do Km 80. Vicinal do km 95. Vicinal do 115. A operação do ICMBIO, que recebeu apoio da Policia Federal, Guarda Nacional e Exercito não teve muito êxito, pois toda noite ainda saem 15 a 20 caminhões de madeira. 
            Dizem que não foi dado continuidade na operação por medida de segurança. Um soldado do Exército trocou tiro com pessoas que cuidavam da picada quilômetros adentro da mata e ficou perdido 5 dias no mato. O Exercito retirou o apoio. A Policia Militar também não quis dar apoio.
            A responsabilidade de mais uma vida ceifada na Amazonia, recai sobre o atual governo, o IBAMA/ICMBIO, Policia Federal, que não deram continuidade a operação iniciada para coibir essa prática de morte, tanto da vida da Floresta como de pessoas humanas.
            Desde 2005 até os dias atuais, já foram assassinadas mais de 20 pessoas nessa região.

Quantas vidas humanas e lideranças ainda tombarão???


Itaituba, 24 de Outubro de 2011.
CPT – BR163
Prelazia de Itaituba

40 Anos de Ordenação Episcopal de Dom Pedro Casaldáliga, o nosso Pedro do Araguáia, e de sua Carta Pastoral "A Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social"

sábado, 22 de outubro de 2011




"Não deixa cair a profecia. E mantenhamos a esperança.
Pode falhar tudo. Menos a esperança".

As estrelas, o Araguaia e nós somos testemunhas
Praticamente nos mesmos dias em que D. Leonardo deixa o pastoreio desta Igreja  e Dom Eugênio Rixen  assume como administrador apostólico, completam-se quarenta anos da ordenação de Pedro Casaldáliga, como bispo.
Foi no dia 23 de outubro de 1971.  Um momento  da maior importância  para a Prelazia que assim tinha seu primeiro bispo. Um momento que não pode ser esquecido. Foi um acontecimento que marcou profundamente a Igreja e sobretudo  os que tivemos o privilégio dele participar.
Três anos depois de Pedro chegar à região, no segundo semestre de 1968, acompanhado do Irmão Manoel Luzón, para iniciar um novo campo de missão,  a Igreja da Prelazia se consolidava com a ordenação de seu primeiro bispo.   Pedro foi ordenado pelas mãos de Dom Fernando Gomes dos Santos, Arcebispo de Goiânia ,  Dom Tomás Balduíno, bispo da Diocese de Goiàs e Dom Juvenal Roriz, bispo de Rubiataba, GO.
Três elementos, mais que significativos,  imprimiram àquela  cerimônia um caráter totalmente inovador e profético que alcançaram forte repercussão não só na Igreja do Brasil, mas também  em muitas igrejas do mundo e na sociedade.
O primeiro: A ordenação se realizou na maior e mais rica catedral do mundo.  A abóbada desta catedral  era ornada pela multidão incalculável das estrelas do céu.  As paredes eram formadas  por um lado pelas águas livres do Araguaia, e pelo outro pelas areias do morro de São Félix. Ao fundo, a igrejinha pequena e pobre da comunidade. Ao pé do morro, como a lembrar a provisoriedade e a fragilidade da vida, o cemitério onde tantas pessoas, morridas ou matadas, descansavam , ao lado do secular cemitério karajá.
O segundo:   Pedro recusou qualquer sinal exterior que o diferenciasse na igreja. Posso estar enganado, mas acho que é o único bispo deste Brasil, talvez do mundo, que fez questão de nunca usar qualquer  insígnia episcopal . As insígnias episcopais, dadas ao bispo na sua ordenação hoje são o anel, o bá­culo, a mitra e a cruz pei­toral. Sinais externos do lugar que o bispo ocupa numa igreja que estruturada em forma hierárquica.  Sinais de sua autoridade e poder. O bispo ainda ostenta um escudo que representa seu lema de vida e serviço. Suas vestimentas também se diferenciam das dos simples padres. (Tempos atrás os bispos ainda usavam, nas clebrações, luvas, calçados especiais e paramentos diversos. Tudo para indicar sua importância na igreja.)
Pois bem. Naquela noite de 23 de outubro de 1971, a abóbada celeste, as águas do Araguaia e todos nós que lá estávamos fomos testemunhas de que algo novo acontecia. Um bispo recusava as marcas do poder para mergulhar totalmente na vida do povo.  Estas palavras profético-poéticas ecoaram naquela noite:
Tua mitra  será um chapéu de palha sertanejo; o sol e a lua; a chuva e o sereno; o olhar dos pobres com quem caminhas e o olhar glorioso de Cristo, o Senhor.
Teu báculo será a verdade do Evangelho  e a confiança de teu povo em ti.
Teu anel será a fidelidade à Nova Aliança do Deus Libertador e  a fidelidade ao povo desta terra
Não terás outro escudo que a força da esperança e a  liberdade dos filhos de Deus, nem usarás outras luvas que o serviço do amor.
O terceiro elemento que marcou esta ordenação,  deixou um rastro de luz e de esperança. Despertou, por um lado, a adesão imediata de cristãos e cristãs em toda a igreja e nos mais diversos setores da sociedade. Por outro, provocou reação irada e violenta dos agentes da ditadura Militar e dos que se locupletavam com os incentivos públicos às custas, do sacrifício, da dor e da escravidão de muitos. Foi sua carta pastoral divulgada naquela ocasião e que se intitulava: UMA IGREJA DA AMAZÔNIA EM CONFLITO COM O LATIFÚNDIO E A MARGINALIZAÇÃO SOCIAL. Um documento que marcou época e que se tornou como que um divisor de águas, no seio da Igreja do Brasil.
A carta pastoral  não olha para dentro da igreja. É um olhar da igreja sobre a realidade nua e crua do povo, ao qual esta igreja veio servir. Nela se relatam as situações vividas pelos posseiros que eram expulsos das terras que ocupadas e trabalhadas há dezenas de anos; a realidade dos índios  cujos territórios eram invadidos pela ganância do capital; e a exploração dos peões, trabalhadores trazidos de diversos cantos d país e submetidos às mais degradantes condições, em situação similar à dos escravos.  Uma  palavra clara e profética que denunciava as injustiças que se cometiam contra o povo e que ecoou no Brasil e no mundo. Pedro dizia na introdução:  “Se a primeira missão do bispo é ser profeta” e “o profeta é a voz daqueles que não tem voz” (Card. Marty), eu não poderia, honestamente, ficar de boca calada ao receber a plenitude do serviço sacerdotal”.   
A ordenação não foi só uma celebração. Ela se concretizou, em todos os cantos da Prelazia, em formas simples e pobres de vida, na partilha da vida com os sertanejos e sertanejas e indígenas,  numa tomada de decisões  de forma coletiva e irmã, onde leigos e leigas, religiosos e religiosas e padres tinham voz, sempre olhando o povo e sua história.
40 anos se passaram. E esses marcos fundantes não se pode esquecê-los.
Antônio Canuto
Secretaria - CPT Nacional

Nota de pesar pelo falecimento de Padre Eliezio dos Santos

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Fortaleza, 18 de outubro de 2011

“Aqueles que amamos nunca morrem,
apenas partem antes de nós”.

A Comissão Pastoral da Terra do Ceará vem através desta, abraçar fraternal e carinhosamente os irmãos e irmãs da Diocese de Crateús e em especial os fiéis da Paróquia de Ipueiras, pelo falecimento de Padre Eliezio dos Santos, que hoje, dia 18 de outubro de 2011, fez sua travessia para perto do Pai.
A família CPT abraça e compartilha esta dor com todos vocês e deseja muita força a exemplo do espírito lutador de Padre Eliezio, para suportarem e superarem esse momento de sofrimento na certeza da celebração da Páscoa definitiva ao lado de Jesus.
Não temos mais sua presença física, mas acreditamos que ele já está junto do Pai, gozando das alegrias eternas reservadas aos e às que, nesta terra, souberam doar suas vidas em favor dos pequenos e das pequenas, os preferidos e as preferidas de Deus.
Padre Eliezio, teve sua vida marcada pelo serviço abnegado pelo bem da Igreja e dos fieis das Paróquias de Parambu, Crateús e Ipueiras. Vida essa, que foi doada em prol do Reino e continuará presente em nossas vidas, nas vidas de todos aqueles que continuam acreditando e lutando por um mundo justo e fraterno.
         A esperança em Cristo nos leva a renovar com os irmãos e irmãs da diocese de Crateús e com os familiares de Padre Eliezio a certeza da ressurreição e o consolo que nos ampara é a contemplação agradecida da vida de um homem justo.
O reconhecimento nos move a expressar esse sentimento fraterno e por meio dele nos unimos a todos os que rezam em ação de graças pela vida eterna de Padre Eliezio e pelo seu descanso em paz.

Fraternalmente o nosso afetuoso abraço,


Comissão Pastoral da Terra do Ceará

AGENTES DA CPT CEARÁ PARTICIPARAM DO I ENCONTRO ESTADUAL DE AGRICULTORES E AGRICULTORAS EXPERIMENTADORES

sábado, 15 de outubro de 2011

Foto: Thiago Valentim. Comunidade Quilombola do Sítio Veiga - Quixadá


Foto: Thiago Valentim. Comunidade Quilombola do Sítio Veiga - Quixadá

Nos dias 13, 14 e 15 de outubro de 2011, na Casa de Repouso São José, na Serra do Estevão, em Quixadá – CE, aconteceu o I Encontro Estadual de Agricultores e Agricultoras Experimentadores, promovido pelo Fórum Cearense pela Vida no Semiárido e Articulação do Semiárido (ASA). Da CPT Ceará, entre os 60 participantes, estiveram presentes João Bosco (Chorozinho), Maria de Jesus (Quixeramobim), Judeon (Acopiara) e Thiago Valentim (Coordenação Regional).
Este encontro teve como objetivo favorecer a partilha de experiências de convivência com o semiárido realizadas em diversas comunidades rurais no Ceará. Para isso, agricultores e agricultoras que dinamizam estas experiências foram convidados e assumiram as discussões em todos os espaços do I Encontro Estadual: são experiências de Casas de Sementes, de Consórcios Agroecológicos, de Quintais Agroecológicos, de Feiras Agroecológicas, Educação Contextualizada, entre outras. Os participantes também visitaram algumas experiências nos municípios de Quixadá e Choró. Um dos intercâmbios foi feito na Comunidade Quilombola do Sítio Veiga, na Serra do Estevão, onde lideranças comunitárias quilombolas contaram a história de resistência da comunidade e suas lutas atuais na garantia dos direitos e, especialmente, do acesso à Terra.
Estas práticas, onde se dialogam saberes antigos e novos, mostram que é possível viver e produzir no semiárido de forma equilibrada; que a visão que se tinha e, ainda em parte permanece, de que o semiárido é seco e ruim de se viver, está mudando a partir destas experiências, que provam o contrário. O intercâmbio favoreceu, ainda, o despertar de alguns/mas agricultores/as para implantarem estas práticas em suas localidades, seja em âmbito familiar, como também comunitário. Estiveram presentes, ainda, técnicos e animadores de entidades que acompanham as comunidades/famílias em suas experiências.
Na Carta Política aprovada no final do encontro se afirma: A agricultura familiar de base agroecológica é importante e necessária para a construção de um semiárido vivo, de qualidade; a exemplo do P1MC e P1+2, outras ações de convivência com o semiárido devem tornar-se políticas públicas através de programas, com amplo investimento de recursos públicos, a fim de que outras famílias sejam beneficiadas; que as famílias beneficiadas sejam participantes deste processo como protagonistas destas transformações, a fim de que seus saberes sejam valorizados e suas culturas resgatadas”.


Thiago Valentim
Comissão Pastoral da Terra do Ceará (CPT)
(88) 96279567 (TIM)/ 92230270 (CLARO), 81127727 (VIVO)
Skype: thiagocptceara

COORDENADOR DA CPT CE PARTICIPA DO LANÇAMENTO DO RELATÓRIO DA MISSÃO CAETITÉ DA PLATAFORMA DHESCA – VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS NO CICLO DO NUCLEAR

sexta-feira, 7 de outubro de 2011


Foto: Thiago Valentim


No dia 06 de outubro de 2011 (quinta-feira), Thiago Valentim, coordenador da CPT CE e membro da Articulação Antinuclear do Ceará, participou do lançamento do Relatório da Plataforma Dhesca, que denuncia as violações dos Direitos Humanos em Caetité - BA pela INB (Indústrias Nucleares do Brasil), que atua na região numa mineração de urânio. O lançamento aconteceu em Audiência Pública, no plenário da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, em Brasília.
A Audiência foi coordenada pelo Deputado Penna (PV) e fizeram parte da mesa a relatora do Direito Humano ao Meio Ambiente, Marijane Lisboa, Pe. Osvaldino (Caetité) e o presidente da INB, Alfredo Tranjan.
Na ocasião, com a presença do presidente da INB, foram feitas inúmeras denúncias de violação dos Direitos Humanos em Caetité, desde os impactos socioambientais e para a saúde humana do empreendimento às violações dos direitos trabalhistas dos trabalhadores da INB, sujeitos a trabalho degradante e exposto a risco dentro da usina.
Marijane Lisboa apresentou dados contidos no relatório e Pe. Osvaldino, que inclusive já foi ameaçado e processado, também fez várias denúncias sobre a falta de transparência da empresa, negação de informações e divulgação de informações não verdadeiras. Fizeram uso da palavra a Auditora do Ministério do Trabalho, Fernanda Giannasi, que esteve nas dependências da INB e trouxe à tona diversas irregularidades da empresa; Elenilde, de Caetité, que denunciou a forma com a INB trata os moradores das comunidades do entorno da usina e Thiago Valentim, coordenador da CPT CE, que denunciou a falta de transparência da INB e a negação de informações sobre o projeto de construção da usina e ativação da mina de Itataia, entre os municípios cearenses de Santa Quitéria, Itatira e Madalena.
Falas marcantes foram de dois funcionários da INB e membros do sindicato dos mineradores da empresa. Denunciaram a falta de coerência da empresa, que afirma para a imprensa e à população que agem de determinada maneira, mas dentro da empresa a realidade é bem outra. Denunciaram as condições de trabalho a que são submetidos os funcionários, sem EPIs e obrigados a realizarem trabalhos que não deveriam fazer ou, pelo menos, da forma como são obrigados a desenvolverem tal atividade.
Diante de tantas denúncias, o presidente da INB, Alfredo Tranjan, tentou justificar, com considerações sem fundamento, o quê para as entidades presentes já estava claro. Negando as denúncias feitas, não demonstrou o mínimo de interesse para que os conflitos cessassem e, ainda mais, reafirmou o programa nuclear brasileiro e o seu desejo de seguir com os projetos futuros deste programa. O interessante é que o Sr. Alfredo Tranjan queixou-se com o Deputado Penna o fato daquela audiência, que de início seria para tratar do problema Caetité, ter envolvido a situação de Poço de Caldas – MG e Santa Quitéria – CE. Perguntamos, então: como separar estas atividades, se todas elas estão intimamente interligadas por um fio de interesse sujo e violador de direitos humanos?
Da Articulação Antinuclear do Ceará participaram também Helena (RBJA) Maiana (RBJA/TRAMAS) e Ana Cláudia (TRAMAS).  À tarde, a Articulação Antinuclear Nacional se reuniu para fazer alguns encaminhamentos sobre o lançamento do Relatório na Bahia e no Ceará e outras atividades da Articulação.

Thiago Valentim
Comissão Pastoral da Terra do Ceará (CPT)
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AGENTES DA CPT CEARÁ PARTICIPARAM DA ROMARIA DE SÃO FRANCISCO DAS CHAGAS DE CANINDÉ



Nos dias 1, 2 e 3 de outubro, os agentes da CPT Ceará Lucimar Dios, Manoel Libânio, Manoel Câmara, Luizinha Camurça, Ir. Clarisse, Lindalva e Thiago Valentim estiveram participando da Romaria de São Francisco das Chagas de Canindé.
 A presença da CPT CE nas Romarias de Canindé e de Finados (Juazeiro), que se realiza há vários anos, está inserida dentro da linha de ação “Movimentos de Massa e Romarias”. O objetivo da CPT com esta atividade é tornar-se próxima dos diversos romeiros e romeiras que se achegam em Canindé no período de 24 de setembro a 04 de outubro para troca de experiências, dado que a maioria dos romeiros e romeiras são camponeses e camponesas dos diversos Estados do Nordeste e de outras regiões do país.
Segundo Luizinha Camurça, agente da CPT da Arquidiocese de Fortaleza, a Romaria de São Francisco é “um tempo de espiritualidade dos romeiros e romeiras, que não medem sacrifícios para ficar em qualquer lugar. Eles vêm com uma alegria muito grande, porque fizeram promessas, se preparam o ano inteiro pra vir agradecer, pedir e pagar as promessas. É uma expressão de força, de esperança muito grande”.
A tônica de acompanhamento dos romeiros e romeiras este ano foi dada a partir das experiências de agroecologia, de convivência com o semiárido. Um folder foi preparado e distribuído entre os romeiros e romeiras, onde continha fotos de experiências alternativas de convivência com o semiárido e os conselhos de Pe. Cícero para bem viver no sertão.
A troca de experiências se deu através do contato feito com os romeiros e romeiras que se dirigiam à tenda da CPT, montada na Praça do Museu, e das visitas que os agentes fizeram aos abrigos da cidade, à Basílica, às praças e ao zoológico.
Este intercâmbio significou um fortalecimento da fé e do compromisso da CPT Ceará com os camponeses e camponesas e um aprendizado sobre as diversas experiências de convivência com o semiárido e outros biomas que estão sendo implementadas em todo o Brasil, em usa maioria por iniciativas dos próprios camponeses e camponesas. Os agentes da CPT puderam ainda ouvir as denúncias feitas pode diversos romeiros e romeiras sobre os impactos de grandes projetos do agro e hidronegócio que ameaçam a qualidade de vida e a permanência na Terra de famílias camponesas em várias regiões do país.
Que São Francisco das Chagas, Padroeiro da Ecologia, caminhe conosco na luta em defesa do meio ambiente e na promoção da vida dos pobres de Deus, filhos e filhas desta Terra.

Thiago Valentim
Comissão Pastoral da Terra do Ceará (CPT)
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