CPT CEARÁ REALIZA SEMINÁRIO INTERNO SOBRE TECNOLOGIAS SOCIAIS APROPRIADAS AO SEMIÁRIDO E REAFIRMA SEU COMPROMISSO COM AS AÇÕES DE CONVIVÊNCIA

domingo, 26 de fevereiro de 2012


                                                                   Foto: Thiago Valentim/CPT CE

No dia 23 de fevereiro de 2012, em Fortaleza, 18 agentes da CPT Ceará realizaram um seminário interno com o objetivo de direcionar um olhar crítico para as estratégias de convivência com o semiárido, a fim de fortalecer sua atuação junto aos camponeses e camponesas.
O seminário possibilitou um debate sobre as ações de convivência realizadas pela CPT Ceará, diretamente ou em parceria, trazendo presente os desafios enfrentados no processo de implementação das mesmas, a situação das famílias e comunidades beneficiárias dos projetos e as perspectivas para o futuro.
Um olhar especial foi direcionado ao Projeto Mandala, desenvolvido pela CPT nos anos de 2004-2005. Com alegria, constatamos que a maioria das mandalas implantadas ainda estão produzindo. Algumas estão desativadas por problemas de infraestrutura, como a dificuldade de transpor a água para o tanque da mandala pela falta de motores mais potentes. Outra dificuldade constatada a foi ausência de acompanhamento, principalmente pela falta de recursos. Porém, a maioria das famílias tem encontrado caminhos, fazendo parcerias, ocupando espaços que possibilitam continuar produzindo, primeiramente para o consumo familiar e, em seguida, para a comercialização do excedente.
As Mandalas são uma referência para a soberania alimentar. Contatamos que, além da melhora na qualidade de vida dos beneficiários diretos e indiretos, pela produção de alimentos de qualidade e a geração de renda, as Mandalas colaboram no fortalecimento dos laços familiares e comunitários, na valorização e autonomia das mulheres e reafirma a identidade camponesa na famílias. Implantadas a partir dos princípios da agroecologia, são responsáveis pela criação de micro-climas, que possibilitam a sobrevivência de diversos seres vivos responsáveis por manter o equilíbrio natural do meio, gerando cuidado com o natureza, uma produção qualificada e a promoção da saúde. Constatamos ainda que as mandalas implantadas pela CPT tem sido referência para outros projetos nas comunidades e para uma educação contextualizada, pois as famílias beneficiárias recebem contantemente a visita de diversos grupos, entre eles de alunos da região, para intercâmbios diversos.
O Seminário reafirmou ainda a necessidade de fortalecer as lutas pelo acesso à Terra e à Água, como elementos necessários para o êxito do processo de convivência com o semiárido.
Avaliando o Seminário como muito positivo, com um debete maduro, a CPT Ceará assumiu alguns compromissos:
* Fazer parcerias com Agentes Comunitários de Saúde e líderes da Pastoral da Criança para difundir e fortalecer os quintais produtivos e outras experiências de convivência nas regiões onde atuam;
* Investir em hortaliças tradicionais;
* Fortalecer e multiplicar as casas de sementes crioulas, valorizando e incentivando também o armazenamento das sementes tradicionais em cada família;
* Realizar estudos bíblicos a partir da ótica camponesa;
* Viabilizar a realização de estudos de aprofundamento do bioma caatinga e do semiárido.

Atenta aos últimos acontecimentos em que o processo de convivência com o semiárido desenvolvido pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) foi ameaçado pela decisão do MDS de romper com a parceria e na insistência do governo e empresas de continuar com a implantação de cisternas de plástico nas comunidades camponesas do semíárido, a CPT Ceará, também membro da ASA, lança carta de compromisso com as alternativas de convivência e expressa sua posição contrária a todo projeto que vise ressuscitar a velha "indústria da seca". 

CARTA DA CPT CE SOBRE AS TECNOLOGIAS DE CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO
A Comissão Pastoral da Terra do Ceará, reunida no dia 23 de fevereiro de 2012 em Fortaleza, num Seminário sobre as tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, vem a público manifestar sua posição diante da necessidade e importância das ações de convivência com este clima.
O semiárido não é somente um clima, mas um povo, com culturas diversas, que busca viver de forma harmoniosa com a natureza. Há, no entanto, problemas históricos que ameaçam a qualidade de vida das populações do semiárido, como a concentração da Terra e das águas, respaldados por políticas que privilegiam as grandes corporações e empresas privadas.
Uma experiência bem sucedida da sociedade civil organizada é a Articulação do Semiárido (ASA), que desenvolve, junto às comunidades camponesas, as ações do P1MC e P1+2 com uma metodologia participativa, integrada com as pessoas e o seu meio e, através dos Fóruns Estaduais e Microrregionais, compromete-se com o debate sobre um projeto sustentável para o semiárido e a implementação de ações que favoreçam a concretização deste projeto.
A tentativa recente do Governo de negar todas estas conquistas nesse processo participativo de convivência, onde o MDS decidiu romper a parceria com a ASA, suscitou forte reação das entidades da ASA, dos beneficiários e parceiros. A ASA, da qual a CPT faz parte, se configura como uma Articulação do Semiárido e não de um Estado ou outro de forma isolada. A grande mobilização ocorrida no dia 20 de dezembro de 2011 em Petrolina – PE, com 15 mil pessoas, reafirmou a importância dessas alternativas e a capacidade de mobilização das entidades que compõem a ASA Brasil, pressionando o Governo Federal / MDS que mantivesse a parceria. Deu certo!
Contudo, um outro projeto ameaça nosso semiárido: a implantação das cisternas de plástico/PVC. Estas cisternas, além de impactos ambientais e para a saúde, custam o dobro das cisternas de placas, comprometendo o processo pedagógico até aqui construído pela ASA. Reafirmamos a importância das alternativas de convivência, mas repudiamos também aquelas que, mascaradas de benefícios, fazem parte de planos de empresas e governos para lucrarem ainda mais em cima das necessidades do povo, sendo uma forma de trazer de volta a lucrativa “indústria da seca”.
A CPT, através do presente documento, reafirma seu compromisso com as lutas em defesa do acesso à Terra e à água de qualidade, onde as populações camponesas possam ter assegurado seu protagonismo, fortalecendo e implementando projetos que gerem soberania e sustentabilidade para as famílias camponesas.

Fortaleza, 23 de fevereiro de 2012
Comissão Pastoral da Terra do Ceará

Morre o bispo da Reforma Agrária

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Jelson Oliveira*

Dom Ladislau Biernaski era desses homens apaixonados pela terra. Mãos calejadas e unhas turvas, seu grande orgulho era mostrar a horta que mantinha no quintal de sua residência simples na cidade na qual viveu por muitos anos e da qual foi bispo nos últimos cinco, São José dos Pinhais. Essa paixão pela terra, herdada da família de imigrantes poloneses, fez com que ele transformasse a terra também numa causa evangélica e política. Por ela frequentou acampamentos e assentamentos em nome da Igreja. Muitas vezes deixou mitras e cátedras e foi à praça do povo para celebrar esse compromisso profético com a justiça. À frente da Comissão Pastoral da Terra em nível estadual e nacional, e das demais pastorais sociais que acompanhou, Dom Ladislau foi um amigo e companheiro. Soube como ninguém entender e explicar a missão pastoral da Igreja dos pobres e por esta clarividência, participou de inúmeras mobilizações da luta dos pobres paranaenses no campo e na cidade.

Na missa de sua posse, em março de 2007, na nova Diocese, o bispo do povo declarou que  "no âmbito da justiça é que se louva a Deus". Foi essa certeza que o alimentou em tantos anos de vida e de sacerdócio. Foi ela que o fez recusar os sacrifícios inocentes ofertados a Deus com o sangue dos trabalhadores e trabalhadoras. Talvez por isso, sua comovente simplicidade não o tornou perfeito como homem, mas o fez buscar a justiça como norma. Carregou suas cruzes e sangrou suas próprias feridas. Em seus olhos inquietos e miúdos sempre pudemos encontrar aquela inquietude de um ser inacabado. Teve seus erros, seus dramas e suas noites insones, depois das quais, louvava a Deus com um farto café da manhã na mesa central de sua sala, para o qual muitas vezes contava com a companhia de amigos e companheiros de luta. Partilhou o pão, a paixão e os estorvos da luta.

Seu lugar era à mesa dos pobres, como esperança, e às tribunas dos poderes e das mídias, como advertência. Ouviu com paciência. Amou com radicalidade. Falou com admirável coragem das causas mais difíceis, cujas feridas ainda sangram na geografia da nação. Foi padrinho incansável da campanha pelo módulo máximo para a propriedade da terra no Brasil. Chorou a morte de tantos trabalhadores sem terra país afora. Denunciou o trabalho escravo. Rezou por suas viúvas e abençoou seus filhos. Acreditou incansavelmente na agroecologia, na produção sustentável, no respeito ambiental e no comércio justo. Defendeu a agricultura camponesa com o entusiasmo que trouxe do berço. Caminhou em romarias e marchas. Deu entrevistas. Falou do Evangelho com a cativante palavra da esperança e da vida com a evangélica força do testemunho.

Como tantos outros, Dom Ladislau morreu hoje sem que sua utopia se realizasse. Mas dizem que a melhor forma de homenagear uma vida que se foi é dar continuidade aos seus projetos. Essa é a forma como eu e você devemos lembrar este homem cujo testemunho é, de tão raro, inesquecível; e de tão simples, profético. Nossa teimosia será sempre uma forma de homenagem. Sua memória um compromisso com a vida.

*Coordenador do Curso de Filosofia PUC-PR e agente da CPT Paraná

Nota de pesar pelo falecimento de Dom Ladislau

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


A Comissão Pastoral da Terra Ceará, vem a público manifestar o seu pesar pelo falecimento do Presidente da CPT Nacional, Dom Ladislau Biernaski, e, ao mesmo tempo, se solidarizar com os familiares, amigos e companheiros de luta e de ideal.

A ausência nos faz sentir saudades, mas também a presença de alguém que em vida se fez valer pela coragem, determinação, audácia, ousadia, solidariedade fé e amor. A nós cabe o dever do zelo, da vigilância, do cuidado, por seu legado tão precioso e tão raro no contexto da Igreja atual.

A perda de Dom Ladislau deixa em todos nós uma lacuna que dificilmente será preenchida. Entretanto, o seu exemplo e a sua resistência na luta pela promoção e defesa dos direitos humanos e em especial dos camponeses e camponesas, certamente continuarão a inspirar todos aqueles que sonham e trabalham por um país mais justo e menos desigual.

“Há aqueles que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis”
Bertold Brecht

Comissão Pastoral da Terra Ceará

Carta das Pastorais do Campo

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012


CARTA DE ESPERANÇA E COMPROMISSO

O Centro de Formação Vicente Cañas, do Conselho Indigenista Missionário, CIMI, em Luziânia, Goiás, acolheu nos dia de 4 a 5 de fevereiro de 2012, quarenta representantes das Pastorais Sociais do Campo. Sentimos bater à nossa porta a história atual das populações do campo com suas preocupações e indignações cada vez mais se avolumando no atual momento. O avanço dos projetos econômicos, nacionais e transnacionais, respaldados e, muitas vezes, patrocinados pelo Estado brasileiro, estão ameaçando os espaços de reprodução física e cultural dos povos e comunidades campesinas no Brasil. Nosso encontro foi vivido como uma urgência que finalmente realizamos, para nos conhecer mais, nos reanimar e dobrar o empenho na construção de estratégias conjuntas de enfrentamento aos desafios existentes. Os gritos que nos vêm, das florestas, das terras e territórios dos povos e das comunidades tradicionais, sobretudo por conta dos impactos e das contínuas ameaças que sofrem, exigiram de nós este primeiro momento de articulação que desejamos continuar e reforçar.

Recebemos a visita, e se mantiveram o tempo todo conosco, nossos ancestrais, os mártires e todos os que tombaram nas lutas antigas e recentes, em defesa da Vida. Foi emocionante e de grande responsabilidade para nós, sentir a presença deles e de suas grandes causas. Nós nos recusamos  esquecê-las,  pois são causas em prol de uma igreja e de uma sociedade nova e diferente. Oscar Romero, Josimo, Dorothy, Nísio Guarani-Kaiowá, Flaviano, quilombola do Charco MA... nos convidaram a olhar com fé para as novas sementes de resistência e de rebeldia que teimosamente são plantadas em todo canto da Abya Yala, a Pátria Grande, pelos povos indígenas, quilombolas, camponeses e camponesas de inúmeros territórios e culturas.

De fato, além destes, acompanhados por Cristo ressuscitado, entre outros entraram na aldeia que nos hospedava:
os Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul, expropriados de seus territórios e de sua cidadania, massacrados, proibidos, alijados da convivência nacional;
-    os quilombolas do Moquibom - MA, cerca de 80 quilombos que defendem e reivindicam os seus territórios, cercados pela violência do latifúndio e do Estado;
-    os quilombos do Recôncavo Baiano do Rio dos Macacos e do São Francisco do Paraguaçu....
-    os povos indígenas do Xingú impactados pelo absurdo e autoritário projeto de Belo Monte;
-    os jovens, a quem se fecham os horizontes de uma vida digna e prazerosa no campo;
-    os Guarani e sem terra do Paraguai que lutam para retomar as terras, ocupadas ilegitimamente por latifundiários brasileiros;
-    Os indígenas da Bolívia que não aceitam e impedem no TIPNIS (Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure) a construção de uma rodovia;
-    Os campesinos de Honduras que, em Bajo Aguán, ainda aguardam uma solução para não perder a terra...

A narrativa viva que apareceu em nossos diálogos e em nossas reflexões projetaram, em sua crueza,  imagens que, há muito tempo, estamos vendo e que a grande mídia quase não revela mais: invasões, traições da palavra, explorações, violências permanentes contra nossos irmãos quilombolas, ribeirinhos, pescadores, quebradeiras de coco, camponeses, jovens e indígenas, migrantes assalariados e escravizados ...

Desta terra depredada e de seus filhos resistentes, vemos renovar-se a cada dia, reações e sinais de esperança. Para quem quer ver, são os sinais, do Reino, da Terra sem Males, do Sumak Kawsay (o Bem Viver Quechua) que fermentam e aquecem nossas lutas, nossas comunidades, nossas vidas.

Esta é a hora, agora mais do que nunca, de tecer, com os fios da história, uma só rede de solidariedade, resistência, teimosia e reação. Com a força dos pequenos, do campo e das cidades, nas ruas e nas praças, de noite e de dia. O sangue derramado pelos nossos irmãos e irmãs de luta, não foi e nem será em vão. Este é para nós o Evangelho do Ressuscitado e esta é a mística que nos faz acreditar na vitória de nossa pequena “pedra” (cfr. Daniel 2, 26-35) chamada esperança, que nasce e renasce da terra e que lançaremos, cotidianamente, contra o gigante dos pés de barro e em favor dos nossos irmãos. Esta pedra de nossa esperança é eficaz quando, com nossos compromissos unitários, reconhecemos e aceitamos a riqueza e a diversidade que o espírito de Javé faz surgir entre os pobres. Isso, da parte de nossas pastorais missionárias, implica
-    aceitar sermos parteiros e parteiras de um mundo novo através de formas novas de vivificar nossas igrejas e nossas comunidades;
-    exigir que o Estado deixe de iludir, reprimir e violentar, com seus aparatos, os povos que não aceitam entrar na estrutura desumana do capitalismo e dos seus  latifúndios;
-        impedir que nossas terras e territórios  estejam cada vez mais monopolizados pela mineração selvagem e os monocultivos;
-    recusar, decididamente, a canga, sempre renovada, de uma política que quer reduzir  os territórios de vida a novos feudos a serviço do lucro e  transformando-os em novos currais eleitorais para legitimar o poder concentrado;
-    promover a participação e o protagonismo de quem, uma vez despertado para o valor da cidadania, ameaça ser novamente tolhido por uma democracia formal que mascara um autoritarismo e uma dependência deprimente de marco neocolonial.

Sobre nosso Brasil indígena, negro, camponês, sobre os jovens desta hora tão ameaçadora e sobre todos os que se solidarizam com outro modelo de Brasil, pedimos a benção do Deus de tantos nomes que Jesus veio nos mostrar com sua missão que é também a nossa.

PARTICIPANTES DO ENCONTRO DAS PASTORAIS BRASILEIRAS DO CAMPO

BRASILIA, 5 DE FEVEREIRO 2012
CIMI - Conselho Indigenista Brasileiro
CPT – Comissão Pastoral da Terra,
PJR – Pastoral da Juventude Rural
SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes
CPP – Conselho Pastoral dos Pescadores
Caritas Brasileira 

IR. AILCE, COORDENADORA DA CPT CEARÁ, CELEBRA 50 ANOS DE VIDA RELIGIOSA

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

No dia 04 de fevereiro de 2012, na Igreja de São José, em Tauá, deu-se a grande festa de celebração dos 50 anos de vida religiosa de Irmã Ailce, Irmã de Jesus Missionário. Foi um momento festivo, oportuno para dar graças a Deus por todos estes anos de serviço-doação ao Reino de Deus e aos empobrecidos desta Terra.
Estiveram presentes tantos amigos e amigas seus, familiares, gente das várias comunidades onde Ir. Ailce já trabalhou, das várias pastorais e frentes nas quais ela desenvolve sua missão.
Na ocasião, as Irmãs de Jesus Missionário, grupo religioso do qual Ir. Ailce faz parte, fizeram a renovação de sua consagração a Deus e aos pobres. Ir. Ailce tem uma longa experiência pastoral, na educação em colégios, mas principalmente junto a grupos vulneráveis da sociedade: mulheres prostituídas, jovens, crianças carentes, camponeses e camponesas sem-terra, inserida na construção de alternativas de convivência com o semiárido. A coragem, a determinação, a fé e o compromisso foram virtudes de Ailce enfatizadas por várias pessoas que dela deram seu testemunho. Na história dela, se fez memória da história da Diocese  de Crateús, das CEBs e Pastorais Sociais nestes sertões.
A festa foi simples, solidária, de partilha, caracterizando um momento forte de encontro de irmãos e irmãs. A ela, Ir. Ailce, os agradecimentos por sua presença na CPT e junto aos camponeses e camponesas do Ceará, com o abraço fraterno de seus companheiros e companheiras da CPT Ceará.

Thiago Valentim
CPT CE

ARTICULAÇÃO ANTINUCLEAR DO CEARÁ REALIZA ENCONTRO NA COMUNDADE DE RIACHO DAS PEDRAS - SANTA QUITÉRIA


No dia 03 de fevereiro de 2012, na comunidade do Riacho das Pedras, município de Santa Quitéria, membros da Articulação Antinuclear do Ceará reuniram-se, na primeira reunião do ano, para prosseguir com os encaminhamentos relativos ao planejamento de 2012.
Estiveram presentes representantes das entidades que compõem a Articulação (MST, TRAMAS, Cáritas de Sobral e CPT) e algumas lideranças comunitárias.
O encontro teve início com uma memória das ações da Articulação Antinuclear desde o seu surgimento, no enfrentamento do projeto de mineração de urânio e fosfato previsto para a Mina de Itataia, para que aqueles que, presentes pela primeira vez, pusessem situar-se nas discussões.
Em seguida, dois membros do TRAMAS, Pablo Araújo e Ana Cláudia, fizeram a apresentação de seus  projetos de pesquisa a serem realizados nas áreas do entorno da Mina de Itataia. Estes projetos estão em sintonia com as ações da Articulação.  A pesquisa de Ana Cláudia terá como foco as comunidades do entorno da mina que pertencem ao município de Santa Quitéria, e a de Pablo Araújo, o distrito de Lagoa do Mato, pertencente ao município de Itatira e distante 16km da mina. Serão criados dois grupos que participarão das pesquisas. A apresentação dos projetos foi seguida de um debate, com contribuições e esclarecimentos.
À noite, houve um momento de encontro com a comunidade, a fim de apresentar o que a Articulação tem planejado para este ano de 2012 e escutar das lideranças comunitárias suas expectativas para as ações de enfrentamento da mineração neste ano. Ficou ainda mais claro a resistência a este projeto de mineração, a necessidade de difundir ainda mais informações sobre os impactos desta obra para o meio ambiente e a saúde humana, a intensificação do trabalho de base, a urgência de fortalecer as diversas organizações comunitárias e a necessidade de se iniciar um trabalho junto às escolas comunitárias, procurando envolver alunos e professores nesta discussão.
Uma preocupação levantada pelas lideranças do Riacho das Pedras é o ano eleitoral. Como tem acontecido em anos anteriores, as campanhas na região são realizadas com foco na Mina de Itataia, onde candidatos políticos aos poderes executivo e legislativo visitam as comunidades,  prometendo que a mina será ativada e gerará muitos empregos para as populações da região. A grande maioria da população, desinformada sobre as verdades  do empreendimento, acreditam nas promessas feitas por tais candidatos. Daí a necessidade de intensificar ações nas comunidades no sentido de desmitificar o que é apresentado sobre a mineração.
A próxima reunião da Articulação Antinuclear está agendada para o dia 13 de abril, no Município de Madalena.
Thiago Valentim
CPT CE

Fórum Cearense pela Vida no Semiárido realiza sua primeira reunião de 2012

Nos dias 02 e 03 de fevereiro de 2012, a Sede da FETRAECE - Fortaleza, deu-se a Reunião Ampliada do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido (FCVSA), a primeira reunião de 2012, com representantes de todos os Fóruns Microrregionais. 

A pauta do encontro foi a seguinte:

1) Socialização da mobilização em Petrolina, através de fotos e avaliação da mobilização. Os membros do Fórum que participaram da mobilização avaliaram como positiva, pelo fato de terem conseguido reunir 15 mil pessoas em tão pouco tempo, o que comprova a força de mobilização da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) e a aprovação e reconhecimento dos beneficiários das ações desenvolvidas pela ASA. Esta mobilização não foi somente um momento para dizer NÃO ao rompimento da parceria do MDS com a ASA e a volta da indústria da seca, mas principalmente um momento de dizer SIM a todo o processo de mobilização e transformação realizado pelas organizações da sociedade civil e comunidades beneficiárias na busca de um semiárido vivo, local de convivência, de harmonia com a natureza.

2) Retomada do encontro de avaliação e planejamento do FCVSA, socialização dos debates, encaminhamentos, compromissos e agenda, aprofundando pontos estratégicos apontados na avaliação, como a comunicação;

3) Discussão da relação estado e sociedade, os cenários estabelecidos e os que queremos consturir para o futuro, evidenciando a discussão do semiárido legal. Com a presença do Secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Nelson Martins, os participantes ouviram dele quais os projetos que a Secretaria irá desenvolver esse ano, bem como foi questionado sobre a participação da sociedade civil na execução dos mesmos. Os membros do Fórum reafirmaram ao secretário a posição contrária à confecção de cisternas de plástico e que continuarão com a campanha contra este tipo de cisternas. O Secretário não disse que é contra ou a favor destas cisternas, mas disse somente que quer conhecer melhor o projeto para se posicionar. 

4) Controle social e a continuidade da campanha contra as cisternas de plástico;

Além de um espaço de encontro, o Fórum é um espaço de discussão e fortalecimento das ações de convivência com o semiárido realizadas pelas entidades que compõem a ASA Brasil. 

Thiago Valentim
     CPT CE

DNOCS X Convivência com o Semiárido.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Roberto Malvezzi (Gogó)
O DENOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca) foi criado em 1909, ainda como IOCS (Inspetoria de Obras Contra a Seca), depois como IFOCS (Inspetoria Federal de Obras Contra a Seca). Durante décadas foi considerado como a maior empreiteira da América Latina.
A concepção do Departamento era equivocada em si mesma, isto é, combater a seca. Claro, nenhum país do mundo criou algum departamento para combater a neve, ou combater a chuva, ou combater o deserto. Entretanto, em sua longa existência, o Departamento construiu a maior açudagem do mundo, cerca de 70 mil, com capacidade para armazenar 36 bilhões de metros cúbicos de água de chuva. O Prof. João Abner, hidrólogo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, costuma dizer que, antes desses açudes, o semiárido era mesmo um deserto. Afinal, o que sempre faltou não foi chuva, mas a capacidade de armazenar a água que a chuva oferece.
Acontece que o Departamento criou ilhas de água, mas nunca fez sua distribuição horizontal. Essa lacuna fundamental é hoje admitida até por quem já esteja na chefia do órgão por quase uma década, como Manoel Bonfim Ribeiro. Essa é a proposta fundamental do Atlas do Nordeste, diagnóstico feito pela Agência Nacional de Águas para o meio urbano da região.
Mas, foi ali também que a chamada “indústria da seca” grassou como praga. Sempre exigindo novas verbas para novas obras, foi o ralo do enriquecimento pessoal de multidões de coronéis nordestinos, que fizeram a maior parte dos açudes e poços em suas propriedades particulares, além de construírem seu poder econômico e político manipulando a sede do povo. O que aconteceu esses dias com o apadrinhado do deputado Henrique Alves é apenas uma amostra grátis de décadas de drenagem do dinheiro público para cofres particulares.
Em 1959, intelectuais como Celso Furtado, setores da Igreja como D. Hélder Câmara, propuseram a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste. Em seu discurso inaugural, Celso Furtado pronuncia a expressão “convivência com o semiárido” - retirando do centro o enfoque no combate a seca e focando a industrialização - que já tinha lastro em outros intelectuais da academia Nordestina. Mas, na lógica do capital e do patrimonialismo, a SUDENE repetiu a indústria da seca do DENOCS. Com a criação da SUDENE, o Departamento perdeu poder. 
Esses dias a presidente Dilma Roussef disse que não iria mais fazer a parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro, que tirou do papel a lógica da convivência com o Semiárido e a fez realidade. Com um fiapo de dinheiro e tecnologias simples, tem um impacto social maior na população mais pobre que cem anos de DENOCS. Agora o governo voltou atrás e disse que vai prosseguir na parceria, mas vai continuar com sua distribuição de 300 mil cisternas de plástico pela CODEVASF, pelas mãos do Ministro Fernando Bezerra Coelho. Portanto, uma no cravo e outra no calo do povo.
Operar no Semiárido sem conhecer sua história é voltar a cometer os erros crassos do passado.  Um pouco de humildade do governo evitaria tamanho descalabro, como as cisternas de plástico e a nova cara dessa nefasta indústria da seca, agora como hidronegócio materializado na Transposição. 
Dilma tem feito um esforço retado para ressuscitar a indústria da seca.

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